Medicamentos Gratuitos para Alzheimer pelo SUS: Quais São e Como Conseguir

    O SUS fornece gratuitamente os principais medicamentos para Alzheimer — donepezil, rivastigmina, galantamina e memantina. Saiba como solicitar, quais documentos são necessários e o caminho até a farmácia de alto custo.

    Atualizado em
    7 min de leitura
    Por Equipe Kuidar+

    O tratamento medicamentoso do Alzheimer pode custar entre R$ 150 e R$ 600 por mês nas farmácias. O que muitas famílias não sabem é que esses mesmos medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo SUS para quem preenche os critérios clínicos.

    Este guia explica quais medicamentos estão disponíveis, quem tem direito e o passo a passo completo para consegui-los.

    Quais medicamentos o SUS oferece para Alzheimer

    O SUS disponibiliza os principais medicamentos aprovados para demência por Alzheimer por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) — popularmente chamado de "farmácia de alto custo" ou "farmácia especial".

    Os medicamentos padronizados são:

    MedicamentoFormaIndicação
    DonepezilComprimidoAlzheimer leve a moderado
    RivastigminaComprimido e adesivo transdérmicoAlzheimer leve a moderado; também demência da doença de Parkinson
    GalantaminaComprimido de liberação prolongadaAlzheimer leve a moderado
    MemantinaComprimidoAlzheimer moderado a grave

    Todos são regulados pelo PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas) de Doença de Alzheimer do Ministério da Saúde, que define quem tem direito, em que doses e por quanto tempo.

    Quem tem direito

    Para receber os medicamentos gratuitamente, o paciente precisa:

    1. Ter diagnóstico de Doença de Alzheimer confirmado por especialista, com CID F00
    2. Ter realizado avaliação cognitiva formal com MEEM (Mini Exame do Estado Mental) — o escore define qual medicamento é indicado conforme o estágio da doença
    3. Ter prescrição de neurologista, geriatra ou psiquiatra com CRM registrado
    4. Ter o atendimento vinculado ao SUS (o LME deve ser emitido por médico da rede pública ou de serviço conveniado)

    O PCDT define faixas de MEEM para cada medicamento. De forma geral, anticolinesterásicos (donepezil, rivastigmina, galantamina) são indicados nas fases leve a moderada; a memantina é indicada nas fases moderada a grave, podendo ser combinada com um anticolinesterásico.

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    O passo a passo para conseguir os medicamentos

    Passo 1: Consulta com especialista pelo SUS

    O processo começa na rede pública. Se o familiar ainda não tem acompanhamento neurológico pelo SUS:

    • Procure a UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro e peça encaminhamento para neurologista, geriatra ou psiquiatra
    • Em municípios maiores, o Ambulatório de Neurologia do hospital regional ou universitário costuma realizar esse atendimento
    • Em alguns municípios, o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) atende pessoas com demência, especialmente quando há componente comportamental importante

    Passo 2: Avaliação e definição do medicamento

    Na consulta com o especialista, o médico realiza ou solicita:

    • Avaliação cognitiva com MEEM (e testes complementares quando necessário)
    • Confirmação do diagnóstico de Alzheimer e estadiamento
    • Neuroimagem (RM ou TC de crânio) se ainda não tiver sido feita

    Com base nos resultados, o médico define qual medicamento é adequado ao estágio da doença e emite a prescrição para o CEAF.

    Passo 3: Preenchimento do LME

    O médico (ou a equipe da unidade de saúde) preenche o LME (Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente Especializado) — formulário padronizado pelo Ministério da Saúde que contém:

    • Diagnóstico com CID
    • Escore do MEEM na avaliação atual
    • Medicamento solicitado, dose e posologia
    • Assinatura e CRM do médico prescritor

    Guarde uma cópia do LME. Você vai precisar dele a cada renovação (geralmente semestral).

    Passo 4: Protocolar na farmácia do CEAF

    Com o LME preenchido e os documentos do paciente, o processo é protocolado na farmácia do CEAF vinculada ao endereço do paciente — que pode estar localizada na Secretaria Estadual de Saúde, em hospitais de referência ou em unidades descentralizadas (o fluxo varia por estado; a UBS ou o médico orientam o caminho local).

    Documentos geralmente exigidos:

    • LME preenchido pelo médico (original + cópia)
    • Receita médica com nome do medicamento, dose e CRM
    • Exames de apoio: RM ou TC de crânio, resultado do MEEM
    • RG e CPF do paciente
    • Cartão Nacional de Saúde (cartão do SUS)
    • Comprovante de residência

    Passo 5: Retirada e renovação

    Após a aprovação — que leva de alguns dias a algumas semanas, dependendo do estado — o medicamento fica disponível para retirada periódica na farmácia do CEAF vinculada.

    A renovação é feita a cada 6 meses, com nova consulta médica, atualização do MEEM e novo LME. O médico avalia se o medicamento está produzindo benefício clínico e se o estágio da doença justifica manutenção ou ajuste.

    Diferenças entre estados

    O fluxo varia por estado em pontos importantes:

    • Localização das farmácias do CEAF: capitais têm mais unidades; municípios pequenos podem exigir deslocamento
    • Prazo de aprovação: de 3 dias a 4 semanas, dependendo do estado e da demanda
    • Disponibilidade do adesivo de rivastigmina: pode ter abastecimento irregular em alguns estados — nesse caso, o comprimido é a alternativa
    • Fluxo de entrada: em alguns estados o processo começa diretamente na farmácia do CEAF; em outros, passa pela UBS ou pelo ambulatório de referência

    Se houver dúvida sobre onde ir, ligue para a Central de Regulação do SUS do seu município ou acesse o site da Secretaria Estadual de Saúde.

    O que fazer se o acesso estiver difícil

    Em municípios com fila longa para neurologista ou problemas de abastecimento:

    • SISREG: peça na UBS para ser inserido no sistema de regulação — pode antecipar consultas com especialistas
    • Clínicas escola: universidades federais e estaduais com curso de medicina costumam ter ambulatórios de neurologia com atendimento mais ágil
    • Desabastecimento: acione formalmente a Secretaria Estadual de Saúde por escrito. Falta crônica de medicamento do CEAF pode ser levada à Defensoria Pública ou resolvida via mandado judicial — ações por remédio são frequentes e costumam ser atendidas rapidamente nas varas de saúde

    Posso usar o SUS para o medicamento mesmo tendo plano de saúde?

    O SUS é universal. Ter plano de saúde não impede o acesso ao CEAF. Na prática, porém, o LME precisa ser emitido por médico da rede pública (ou serviço conveniado ao SUS). Famílias que consultam exclusivamente na rede privada precisam ao menos ter uma consulta de referência pelo SUS para que o médico público emita o LME.

    Resumo

    • Medicamentos disponíveis gratuitamente: donepezil, rivastigmina (comprimido e adesivo), galantamina e memantina
    • Via de acesso: CEAF / farmácia de alto custo, mediante LME preenchido por especialista da rede pública
    • Primeiro passo: consulta com neurologista, geriatra ou psiquiatra pelo SUS
    • Renovação: a cada 6 meses com nova avaliação cognitiva
    • Acesso travado: acionar Secretaria Estadual de Saúde ou Defensoria Pública

    O tratamento existe, é gratuito e tem respaldo legal — o desafio é navegar o sistema para acessá-lo.

    Sobre o autor

    Conteúdo baseado em evidências sobre cuidados, direitos e bem-estar para famílias que enfrentam Alzheimer e outros tipos de Demência.

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