Comunicação: como falar e ser ouvido
Revisado por Dra. Patricia P. Pires, geriatra, Supervisão Médica da Kuidar+ · Atualizado em
A demência afeta a linguagem, a compreensão e a capacidade de expressar necessidades. Mas a comunicação emocional permanece intacta por muito mais tempo — a pessoa sente o tom, o toque e a presença mesmo quando não entende as palavras.
O que fazer
A técnica da validação
Quando a pessoa diz algo que não é real — "preciso buscar meus filhos na escola" (os filhos têm 50 anos) — não corrija. Valide o sentimento por trás da afirmação.
Essa abordagem reduz a agitação sem humilhar nem mentir — só redireciona o foco.
Quando a fala diminui
Com o tempo, a pessoa pode falar menos ou trocar palavras. A comunicação continua — ela só muda de forma.
- Observe o corpo: expressão do rosto, postura e inquietação dizem muito sobre dor, medo ou desconforto.
- Mostre em vez de perguntar: ofereça duas blusas e deixe a pessoa apontar.
- Demonstre: faça o gesto junto ("vamos escovar os dentes assim").
- Use música e toque: canções antigas e um carinho na mão costumam alcançar quem já não conversa.
- Continue falando com a pessoa, mesmo sem resposta. O tom de voz acolhe.
Perguntas repetidas
Ouvir a mesma pergunta muitas vezes cansa. Lembre que, para a pessoa, cada vez é a primeira vez. Responda com a mesma calma e com uma frase curta. Se a pergunta se repete muito, escreva a resposta em um papel ou quadro à vista. E procure o sentimento por trás: quem pergunta "que horas vamos sair?" muitas vezes está ansioso, e precisa de segurança mais do que de horário.
Leia também no blog
Serviço remoto, não substitui o médico. Seguimos diretrizes da Política Nacional de Demências (Lei 14.878/2024).